Posts de Abril, 2008

Acendo um cigarro

Abril 24, 2008

E escrevo a primeira estupidez que me vem à mente
sem muita classe, talento, técnica.
Mas também não peço audiência!
só o fato de pegar a estupidez e jogar pra fora me faz bem. Não está preso em mim, já compartilhei, já dispersei os problemas em linhas mal feitas de um blog oculto no meio de milhões.

Não vejo nada diferente aqui, tudo que escrevo reflete os anseios, dificuldades, reflexões de uma pessoa qualquer; a diferença é que expulso tudo pra conseguir viver melhor.

E funciona, porquê não tenta também?
Talento não é necessário, ve-se por mim. De verdade.
Só é necessário viver, se foder muito e às vezes se dar bem.

Quem, nesse mundo de merda, obtém mais sucessos do que derrotas na vida?

Todos estamos expostos às pedras no caminho dos dedos.
Tem gente que prefere sentir a dor quieto,
eu não, xingo bem alto.

A alegria de errar

Abril 18, 2008

Perdi tempo com besteiras que não deveriam
brigas que não deveriam
mulheres que não deveriam
amigos que não deveriam
estudos que não deveriam
convicções que não deveriam
músicas que não deveriam
roupas que não deveriam
textos que não deveriam
mas na época eram as coisas que significavam algo pra mim
e me arrepender hoje é a prova de que vivi. E digo mais,
ainda bem que tenho com o que me arrepender, significa que meu
coração ainda bate, significa que a vida continua presente em mim.
Não lembro de todos os carinhos que recebi, mas lembro de todos os socos.

A Faculdade

Abril 15, 2008

Grana, a melhor roupa, melhor maquiagem, melhor cabelo. Sorriso branco, aberto, grande. Cumprimentando desconhecidos, também imbecis. Tênis de molinha, carro polido, muito gel, muito perfume, falsidade. Cervejinha, música do créu, faxineiro chato, nada de cigarro. Banheiro limpinho, espelho ocupado. Celular tocando, toque do bebê, da risada, do caralho. Truco, dominó, qualquer coisa. Comida, lanche, café, agua, refrigerante, suco, comida.  Narguile, cigarrinho de cravo, chocolate, merda. Todos felizes. Menos eu.

Mente Humana

Abril 8, 2008

Achou que não precisava de mais nada; e se foi.

Partiu sem destino certo, buscando talvez a paz de espírito que almejava há anos.

A vida que deixou pra trás, já não era mais sua vida. Já não era mais vida. Era um passado sombrio que era preciso esquecer. Era preciso abandonar àquilo que fora chamado de “minha vida”.

E lá estava ele, partindo em busca de não se sabe o quê. O que importava era partir, mover-se através dos espinhos do passado para alcançar a liberdade sonhada durante anos.

A idéia fixa não escapava da mente; era preciso mudar. Era preciso fugir rápido, era preciso fugir agora.

Mas a vida o interrompeu no meio do caminho. Não é possível sair correndo da realidade que o envolve. A realidade é cruel e interrompe sonhos de fuga. Interrompeu nossos sonhos de fuga.

E lá estava ele no começo de tudo novamente, tentando esquecer o presente. Nesse vai e vem da vida que não acabara nunca, viu-se preso e ensandecido.

Sabe-se que não se pode abrir mão do presente, sabe-se que a realidade escraviza o ser humano e destrói a esperança, mas ele não desistia.

A única solução surgia esporadicamente em sua mente, e cada vez mais frequente, foi tomando conta de seu corpo, substituindo a ânsia infinita de fugir. Era preciso então abrir mão da vida?

Se for pra driblar a cruel realidade, que assim seja. E assim é. Assim foi…