Eu nunca disse que teria problemas em ser o que gostaria de ser. Ver o que gostaria de ver e ter o que gostaria de ter. Ser, não sou. Mas tenho visto e quase tenho tido. Espero ter e ver e ser e sentir. E ao mesmo tempo não espero nada. Não espero nem um texto do texto. Eu quero ser interpretado da maneira errada, não quero ser entendido e me sinto mais tranquilo assim. Não quero problemas com ninguém. Não quero me expor. Só quero ver, ser, sentir e ter. Ah, como eu queria ter. Mas se não der, tudo bem, eu já vi, e ver já foi maravilhoso. Mas me entendam mal, por favor. Se você me compreender vou ficar profundamente chateado. Não me sentirei tão louco quanto acho que deveria ser ou o quanto acho que os outros acham que sou.
Construi uma casa com material barato. Ficou linda mas não muito firme. Mas ficou linda, quem precisa de firmeza quando se tem beleza? Eu só quero sentar em frente à minha nova casa e aprecia-la. Vou aprecia-la o dia todo, todos os dias. Dessa casa eu não enjôo, quem construiu fui eu, tem tudo no meu gosto. Vou apreciar e ser feliz com minha nova casa. Minha casa novinha.
Estou voando. Ganhei um par de asas e tô voando pra lá e pra cá. Vou buscar cigarros na padaria? Visto minhas asas e lá vou eu. As vezes, com um pouco de descuido acabo batendo a cabeça na parede, mas não ligo. Todo mundo me diz “desce daí Daniel, vai dar merda!”, mas eu acho que é inveja.
Tudo bem, eu também sinto que quando estiver lá em cima, desviando dos aviões, tentando respirar entre as nuvens e apostando corrida com os pássaros, vou cair. Vão pegar a asa de volta e a queda vai ser feia. Mas quer saber? Tô nem aí, vou é subir… e subir… e subir… e subir…