I’m a junkyard full of false starts

By Daniel

Realmente, eu sou um homem de falsos começos.

Creio eu que 90% das minhas iniciativas terminam no nada inicial. Minhas motivações não duram mais de 24 horas. Meus planos afundam no primeiro passo. Meu medo de errar me restringe ao que já tenho. É assim que levo a mesma vida.

Meus traumas nunca se curam e permanecem bloqueando novas experiências pelo temor da re-vida.

A única coisa que me satisfaz é viver o que já vivi e aprovei. É complicado se entregar sem saber onde chegar. É como Lispector que vivia com um tripé, que a impedia de andar, mas pelo menos a mantinha estável.

Pelo menos ela eu sei que entenderia.

Tenho desanimado bem rápido de absolutamente tudo e não tenho vontade em me esforçar pelo contrário. Todas essas regras do que fazer ou não fazer me parecem tão absurdas ao ponto de preferir ficar em casa, onde elas me atingem com menor intensidade. Apesar de ainda assim atingirem.

O que poderia ser pior do que viver em uma sociedade com regras de convivência que não concordamos?

Como algumas pessoas conseguem passar pela vida sem questionar nada e vivem felizes como se fossem completamente cegas e surdas?

Eu passo por uma favela e não consigo não enxergar. Vejo alguém jogando lixo na rua e não consigo não enxergar. Entro numa balada e não consigo não enxergar as atitudes ridículas da maioria. E o pior: não consigo não enxergar as minhas próprias atitudes ridículas.

No outro dia a ressaca é acompanhada do peso na consciência de ter agido da mesma forma. Porque pior do que não aceitar é fazer parte sem ter opção. O que posso fazer? Me excluir da sociedade e viver como um Bukowski da vida? Sujo, embrigado 24 horas por dia e sem perspectivas de nada?

Eu sou louco mas não o suficiente.

O que me resta é um exercício diário de aceitação. É como aceitar a perda de um filho precocemente. Por mais absurdo que soe, não há outra forma. 

A minha revolta com isso me parece tão ridícula. Parece frescura. Serei eu um rebelde sem causa?

Uma resposta para “I’m a junkyard full of false starts”

  1. Lívia Nobre Sardão Disse:

    Numb…
    Artistas, durante toda a historia da existência já clamaram essa dor de uma forma ou de outra
    em qq idade, ou fase da vida, n importa, o vazio te agarra com todos os dedos, abrindo um vão no meio do peito… e n me venham dizer q isso é coisa de gente sensível apenas, não é.
    Deixa sentir, pq vc sabe a resposta, acreite ou nao… “enxerga, mas não ve, escuta mas não ouve”…
    Não tenho respostas pra ti, mas posso dizer das minhas: não abandar as minhas artes, nem a mim mesma. Não desistir do amor, mesmo nessa época onde td eh volatil, rotulado, e as pessoas dizem q te amam hj e amanha agem como se nada tivesse acontecido. Pq talvez, pra elas não aconteceu. Doí. Mas passa. E vc, a cada dia chega mais e mais perto de ti mesmo. Até entender esse processo maluco de se estar vivo.
    Não sei te dar conselhos, nem posso. Mas meses atrás li um livro q talvez possa te interessar. Chama-se “como me tornei um estupido”, Martin Page.
    Se le-lo, depois diga-me.

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