Maio 28, 2008 por Daniel

como pode o ser humano ser tão absurdamente ridículo?

Espalhando éticas, conceitos e regras que não são praticadas, vivendo eternamente uma vida de mentiras, dissimulação, enganação.

o homem é nojento, é podre, é a raça mais deplorável desse planeta. Tenho nojo de mim mesmo. Sinto vontade de rasgar a propria pele e fugir dessa característica humana miserável.

Estou completamente decepcionado com o ser humano e com a vida. Isso é desesperador.

Maio 28, 2008 por Daniel

“você pode não acreditar nisto
mas há as pessoas
que passam pela vida com
muito pouca
fricção de angústia.

eles se vestem bem, dormem bem.
eles estão contentes com
a família deles.
com a vida.

eles são imperturbáveis
e freqüentemente se sentem
muito bem.
e quando eles morrem
é uma morte fácil, normalmente durante o
sono.

você pode não acreditar nisto
mas tais pessoas existem.
mas eu não sou nenhum deles.

oh não, eu não sou nenhum deles,
eu não estou nem mesmo próximo
para ser um deles.

mas eles
estão lá …

e eu estou aqui.”

Bukowski

Mudança

Maio 7, 2008 por Daniel

…e quando descobrimos que o que temos é passível de mudança, não é exclusivo, e principalmente: não é o melhor,  podemos viver mais despretenciosamente e tranquilamente. Antes achava que o que eu tinha, ninguém mais tinha, faria qualquer coisa pra manter em minhas mãos o que considerava valioso e insubstituível, sofrendo com qualquer oscilação e qualquer possibilidade de perda do surreal.

Felizmente a vida nunca para de me ensinar, e acaba que nenhuma perda é definitiva, e que mudanças sempre são pra melhor. Não penso em mudar em nada, mas fico contente ao saber que isso não será o fim dos meus dias, se ocorrer.

Chega de me rastejar e agarrar o atual, chega de acreditar na perfeição que não existe, o mundo é grande demais, e as possibilidades, infinitas.

Acendo um cigarro

Abril 24, 2008 por Daniel

E escrevo a primeira estupidez que me vem à mente
sem muita classe, talento, técnica.
Mas também não peço audiência!
só o fato de pegar a estupidez e jogar pra fora me faz bem. Não está preso em mim, já compartilhei, já dispersei os problemas em linhas mal feitas de um blog oculto no meio de milhões.

Não vejo nada diferente aqui, tudo que escrevo reflete os anseios, dificuldades, reflexões de uma pessoa qualquer; a diferença é que expulso tudo pra conseguir viver melhor.

E funciona, porquê não tenta também?
Talento não é necessário, ve-se por mim. De verdade.
Só é necessário viver, se foder muito e às vezes se dar bem.

Quem, nesse mundo de merda, obtém mais sucessos do que derrotas na vida?

Todos estamos expostos às pedras no caminho dos dedos.
Tem gente que prefere sentir a dor quieto,
eu não, xingo bem alto.

A alegria de errar

Abril 18, 2008 por Daniel

Perdi tempo com besteiras que não deveriam
brigas que não deveriam
mulheres que não deveriam
amigos que não deveriam
estudos que não deveriam
convicções que não deveriam
músicas que não deveriam
roupas que não deveriam
textos que não deveriam
mas na época eram as coisas que significavam algo pra mim
e me arrepender hoje é a prova de que vivi. E digo mais,
ainda bem que tenho com o que me arrepender, significa que meu
coração ainda bate, significa que a vida continua presente em mim.
Não lembro de todos os carinhos que recebi, mas lembro de todos os socos.

A Faculdade

Abril 15, 2008 por Daniel

Grana, a melhor roupa, melhor maquiagem, melhor cabelo. Sorriso branco, aberto, grande. Cumprimentando desconhecidos, também imbecis. Tênis de molinha, carro polido, muito gel, muito perfume, falsidade. Cervejinha, música do créu, faxineiro chato, nada de cigarro. Banheiro limpinho, espelho ocupado. Celular tocando, toque do bebê, da risada, do caralho. Truco, dominó, qualquer coisa. Comida, lanche, café, agua, refrigerante, suco, comida.  Narguile, cigarrinho de cravo, chocolate, merda. Todos felizes. Menos eu.

Mente Humana

Abril 8, 2008 por Daniel

Achou que não precisava de mais nada; e se foi.

Partiu sem destino certo, buscando talvez a paz de espírito que almejava há anos.

A vida que deixou pra trás, já não era mais sua vida. Já não era mais vida. Era um passado sombrio que era preciso esquecer. Era preciso abandonar àquilo que fora chamado de “minha vida”.

E lá estava ele, partindo em busca de não se sabe o quê. O que importava era partir, mover-se através dos espinhos do passado para alcançar a liberdade sonhada durante anos.

A idéia fixa não escapava da mente; era preciso mudar. Era preciso fugir rápido, era preciso fugir agora.

Mas a vida o interrompeu no meio do caminho. Não é possível sair correndo da realidade que o envolve. A realidade é cruel e interrompe sonhos de fuga. Interrompeu nossos sonhos de fuga.

E lá estava ele no começo de tudo novamente, tentando esquecer o presente. Nesse vai e vem da vida que não acabara nunca, viu-se preso e ensandecido.

Sabe-se que não se pode abrir mão do presente, sabe-se que a realidade escraviza o ser humano e destrói a esperança, mas ele não desistia.

A única solução surgia esporadicamente em sua mente, e cada vez mais frequente, foi tomando conta de seu corpo, substituindo a ânsia infinita de fugir. Era preciso então abrir mão da vida?

Se for pra driblar a cruel realidade, que assim seja. E assim é. Assim foi…

Vida

Março 10, 2008 por Daniel

Viver cansa, todos sabemos disso. Porém, qual a explicação de estar cansado quando temos o emprego que queremos, estudamos o que desejavamos desde criança, amamos da forma mais intensa possível , e estamos cercados dos amigos mais fiéis que existem no planeta?

Essa merda humana que chamamos de descontentamento.

Nunca o ser humano conseguirá sentir-se no ápice de sua vida, e é óbvio que sou mais um.

Mas o fato de estar descontente não quer dizer que não goste de meu emprego, que não ame meus estudos, que não seja apaixonado pela minha namorada e que não considere profundamente os amigos. É simplesmente algo inexplicável, não consigo entender porquê apesar de tudo, continuo descontente. Continuo reclamando amargamente da vida, continuo sem esperanças para o amanhã, mesmo com o amanhã aberto, claro e promissor bem na minha cara.

Estou expondo essa situação aqui pois sei que não sou o único. Sei que existem pessoas (conheço inúmeras) que reclamam muito, reclamam mais do que eu, com uma vida infinitamente mais confortável que a minha, até. O que explica isso? Eu quero descobrir a essência do descontentamento humano. Não sei pra quê, mas quero.

Ví um video no YouTube uma vez, em que o autor reflete exatamente o que quero passar agora: Nós somos a única espécie no planeta que se preocupa em ser feliz, os outros animais podem simplesmente ser.

Realismo

Fevereiro 27, 2008 por Daniel

- Vou me matar! Vou me matar! – gritava enquanto criava coragem para pular.

Gritava pela primeira vez, e no fundo, gostava da sensação do grito, de esvaziar os pulmões até não sair mais absolutamente nada. E o alívio de recuperar o ar o mais rapido possível.

Respirar dava-lhe sensações que ele nunca imaginou ter com nada. Nunca aproveitou tanto um momento quanto àquele, no ato de gritar e respirar.

- Talvez não chegasse a esse ponto se gritasse antes – Pensou cinquenta vezes em um minuto. Pensar ele sabia, era expert no ato de conversar com si mesmo. Amigos, só os imaginários, e eram mesmo verdadeiros, pois estavam lá com ele nesse momento, também.

Há um ano atrás ele não precisava dos amigos imaginários, dos gritos, da respiração e da morte. Porque ele tinha tudo que precisava. Ele tinha. A vida era mais suave do que nunca, e ele não tinha tempo pra pensar em besteiras. Ele nem pensava!

Mas aí tudo foi pros ares, ele não tinha mais, e a vida se tornou insuportável novamente. Talvez mais insuportável do que era antes.

O que restou foi o grito, o grito e a morte. Pular naquele momento deixou de ser uma opção para ser o único caminho. Não existe mais volta, existe o pulo, e só.

Pulou, e no percurso em direção ao chão pensou naquele último ano, na vida que conheceu e que não conseguiu viver sem. Na injustiça de perder aquilo que o segurava em pé. E no alívio da morte. Quase tão bom quanto o grito.

O chão interrompeu a reflexão, e interrompeu a vida que ali ainda se formava. É fato que a vida no planeta continua, mas com um pedaço a menos de realismo, estirado no chão de uma rua movimentada.